Sou extremamente distraída, daquelas que passam por pessoas conhecidas sem se dar conta. Vivo no mundo da lua, como sentenciava minha mãe.
Achei que decorresse dessa distração o fato de ter dificuldades em reconhecer rostos e ligá-los a nomes e lugares. Conversando com minha amiga e professora Zezé, comentei isso. Não é que ela me disse ser assim também? E me deu uma informação preciosíssima: havia lido que isso não era distração, mas uma deficiência real de nome complicado – prosopagnosia.
Quem nos deu essa informação foi a maravilhosa Martha Medeiros, em uma de suas crônicas. Ficamos, então, sabendo que ela compartilha conosco o problema. Segundo ela apenas 100 pessoas no mundo foram diagnosticadas com isso, mas há quem diga que afeta uma em cada 50 indivíduos. Acredito mais nessa última informação, já que tenho conversado com muita gente que se diz má fisionomista.
Lendo a crônica dela, fui me identificando. Quantas vezes encontrei pessoas que trabalharam diretamente comigo por um bom tempo e não reconheci, porque estavam num ambiente completamente diferente do que eu estava acostumada a vê-las. E os uniformes, então? Pôr ou tirar um uniforme para mim torna a mesma pessoa em outra totalmente diversa. Já não sei mais quem é.
Pesquisando no Google, descobri que a disfunção é chamada também de “cegueira para feições”. A reportagem diz que pessoas com a síndrome costumam usar outros parâmetros, como cabelo ou roupa, para identificar as pessoas. É exatamente o meu caso. Ai a pessoa muda o cabelo, troca de roupa e pronto: lá se vai minha estratégia...
Obrigada Zezé e Martha, por me mostrarem que não sou desatenta. A vocês que me leem, reflitam. Aquela pessoa conhecida que não o cumprimenta na festa pode não ser a “metida” que você achou que era.
A crônica da Martha Medeiros foi escrita em 13 de janeiros de 2013. Acho que se fosse escrita hoje precisaria de um complemento. Se, enxergando o rosto todo, nós, os portadores de prosopagnosia (nunca vou conseguir decorar esse nome!), já não identificamos o fulano, o que fazer agora que, com essas máscaras, só enxergamos os olhos? Socorro!
NOTA: O jornal Royal Society Open Science publicou um questionário elaborado por um grupo de cientistas britânicos que visa tentar diagnosticar o problema. Eu tirei 90!!! (Sendo 100 o indicativo de reconhecimento facial severamente danificado). Se alguém quiser fazer, eis o link:
https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2015-11-04-tem-dificuldade-em-reconhecer-caras-faca-o-teste-e-descubra-se-sofre-de-prosopagnosia/

Luciane, mais uma de suas maravilhosas crônicas. Acabei aprendendo mais uma coisa: prosopagnosia. Comigo acontece a mesma coisa. Trabalho no serviço público há doze anos: em área administrativa e no esporte, lido com várias pessoas. Constantemente passo vergonha ao ser abordado ou cumprimentado por várias pessoas e sequer saber o nome delas. Chega a ser uma situação constrangedora eu ter que perguntar quem é a pessoa.
ResponderExcluirMas agora sei que isso não é um problema de distração minha e sim uma disfunção de associação entre fisionomia e rosto das pessoas!!!
Parabéns mais uma vez e sucesso sempre!!!
Obrigada. Você não está sozinho nisso rsrs.
ExcluirLu, isto se dá comigo de uma forma diversa reconheço às vezes o rosto da pessoa e não me lembro o nome. Isto será a mesma coisa?
ResponderExcluirAcho que não, Leia. Pq o problema que citei tem a ver com Não identificar feições.
ExcluirÓtima crônica, não disso, proso...ia, mas dou umas escorregadas na distração que me deixam mal.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMal dos distraídos...Ou dos poetas?
ResponderExcluirApesar de bem distraído com os pés nas nuvens não a tenho em relação às feições. Sou bom fisionomista e jamais esqueço um rosto. E se vejo alguém na rua, sempre me lembro de alguém, mesmo que o tenha visto há trinta anos. Mas ando distraído na rua e às vezes uma pessoa me esbarra para que eu possa vê-la. Excelente texto.
ResponderExcluirIdentifico.
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