Chegamos(e passamos) aos 50 . Mas não são os mesmos 50 de nossas mães. Ninguém, hoje, se vê velha demais para nada. Pelo menos não deveria... São outros tempos! A gente quer comida, diversão e arte... e muitas outras coisinhas mais!! Aqui tem.
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
Mal na foto, bem na vida
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
Padrões e reflexões
Chico Buarque canta “todo dia ela diz que é para eu me cuidar/essas coisas que diz toda mulher” e eu penso: o que vem primeiro, a ideia de que toda mulher diz isso ou sua real vontade de dizer?
Você já deve ter ouvido que shopping (ou cabeleireiro) é o terapeuta da mulher, assim como o bar (ou o futebol) é o do homem. E como fico eu, mulher, que detesta fazer compras e ir ao salão de beleza, mas adora um boteco e um jogo?
Quantas outras coisas eu não me encaixo, ou, se me encaixo, é de forma imperfeita, por que fui ensinada que assim devo agir?
Quais atitudes e preferências, na minha vida, são padrões aprendidos e quais são, realmente, a expressão da minha essência?
E mais: quando me sinto satisfeita com algum comportamento meu, estou expressando o que tenho em meu interior ou apenas feliz por agir em conformidade com o que se espera de mim?
Não é só na questão de gênero que os padrões nos afetam. Você talvez já tenha sido cobrada, em sua juventude, por não ter arrumado um emprego ou um cônjuge. E, se casada, pelo filho que ainda não veio. Só uma criança? E a segunda? Ou ouvido frases que comecem com “você já tem idade para...” e depois de alguns anos “você não tem mais idade para...” Ufa!!
Somos tão diversos, homens e mulheres, e os padrões da sociedade só servem para nos reduzir e limitar. Difícil é se libertar deles...
quinta-feira, 30 de julho de 2020
O bom da vida
terça-feira, 21 de julho de 2020
Diversão a um
domingo, 5 de julho de 2020
Felicidade existe?
quarta-feira, 24 de junho de 2020
Medo e coragem
Por algum motivo hoje, enquanto caminhava, comecei a pensar em meus medos. É estranho como a mente vai passeando, aqui e ali na memória, fazendo conexões e, de repente, você se vê pensando em alguma coisa aparentemente “do nada”. O pensamento escolhido, desta vez, foi sobre meus temores vencidos.
É muito bom chegar a esta fase da vida e olhar, com alívio, para tudo o que conseguimos vencer. Dá uma sensação de vitória, massageia a auto estima. O medo nos paralisa e, muitas vezes, interfere decisivamente na realização dos sonhos. Vencê-lo nos torna mais livres. Não que eu acredite que deva vencer todos os medos de minha vida. Alguns não me atrapalham, então deixo eles quietinhos, em algum canto esquecido de minha mente. Pular de paraquedas, por exemplo, é um medo que não faz diferença para mim, já que nunca sonhei em viver essa aventura. Já, conhecer o Brasil em quatro rodas é algo que ainda pretendo fazer...
E por falar em rodas, o maior medo que venci na vida foi o de dirigir. Dos meus 18 aos 35 anos fiz nove provas sem conseguir passar no exame de direção. Quando, finalmente, consegui a CNH, na décima tentativa, nem acreditei! Mantive o carro na garagem, por um ano, para não correr o mínimo risco de perder o documento provisório. A essa altura, tantos anos de tentativas infrutíferas, cheguei a deixar de lado meu sonho de adolescente de pegar estrada, ir de carro para São Paulo e dirigir por lá com a desenvoltura que admirava em minha tia Cláudia (a melhor motorista que já conheci). Dirigir na pequena cidade onde morava já era maravilhoso, pensava. Era o medo me paralisando de novo. Logo percebi e fui à luta. Hoje vou a São Paulo, a Santos, pego a Dutra... desço até a serra de Cunha!
Venci muitos outros medos durante essa jornada. O de cachorro passou totalmente quando adotei meu cãozinho Theo. O de baratas foi controlado quando me tornei mãe e não pude mais me dar ao luxo de deixar de fazer almoço por causa de um inseto no meio da cozinha. O de dormir sozinha em casa melhorou com a maturidade, mas ainda me assola, vez por outra, conforme meu estado de espírito.
Alguns medos são vencidos todas as vezes que aparecem, numa batalha que parece não ter fim (é o caso da barata!). Outros, depois de derrotados, vão embora com o rabo entre as pernas... E há aqueles que se confundem com vergonha ou timidez.
Andar de bicicleta é um exemplo. Houve uma época em que o veículo de duas rodas era meu segundo par de pernas. Já faz muito tempo. Hoje em dia estou ensaiando para voltar a pedalar. Até já comprei uma, novinha, mas a coragem de sair por ai não veio junto na embalagem. Neste caso, não sei dizer se é medo de cair ou se é vergonha de dar vexame. Ou os dois!
Já há algum tempo venci meu medo de ir a eventos sociais sozinha. Talvez, neste caso, seja uma timidez que foi vencida. Ou seria o medo de enfrentar pessoas que não conheço?
Enfim...
Pensar em todas essas vitórias me fez muito bem e é uma reflexão que recomendo! Há ainda muitos medos em mim mas, quanto mais caminho nessa existência, mais compreendo que superá-los é uma questão de tempo. Um passo de cada vez e a gente chega lá.
Observação de última hora: achei que este texto fosse a superação de mais um temor – o de confessar meus medos. Mas logo percebi que não é isso que acontece aqui. Confessei coragens, isso sim.
Quais são os pavores inconfessáveis que ainda vivem dentro de mim? Reflexão para a caminhada de amanhã. Assunto de outra crônica? Talvez no futuro...ou não.
quarta-feira, 17 de junho de 2020
Lutos
A morte de alguém reverbera dentro de nós, acordando as lembranças de todos os lutos já vividos. Todos os funerais que passamos, especialmente os dos mais queridos, voltam à memória.
Uma amiga querida, que perdeu o pai também neste sábado, mencionou a hipocrisia dos velórios. Eu já pensei dessa forma. Não gostava de ver as pessoas conversando e rindo do lado de fora da sala, agindo como se fosse uma festa. Evitei esses eventos por muito tempo. Além disso, achava que os enlutados nem percebiam muito bem quem estava lá, tão envolvidos estavam com sua dor, portanto eu não faria falta.
Até que perdi minha mãe. Descobri, então, que todo ritual para velar um corpo, embora de origem religiosa, é, na verdade uma vírgula, uma pausa necessária para a mente se acostumar com a perda. Enquanto o corpo está ali, ainda que sem vida, a gente tem tempo para processar o ocorrido, com direito a viver a dor em seu mais profundo significado. E receber o carinho das pessoas de nossa rede de amigos e conhecidos. Nada como abraços para aconchegar a tristeza com seu respectivo consolo.
Acontece que, em tempo de quarentena, esse momento que nos permite sofrer no aconchego do carinho amigo nos está sendo negado. Não sem motivo, claro. Precisa ser assim. Mas imagino o quão mais dolorosos são os óbitos nesta época. De forma abrupta, o corpo sai do leito de morte direto para o cemitério. Sem pausa, sem respiro...
Uma médica, que atua em cuidados paliativos, falou sobre isso, dia desses, numa live: a dor parece que dói mais, machuca sem bálsamo.
Mas... o ser humano é adaptável. E a palavra de ordem, em 2020, é reinventar. Para amenizar a perda de sua mãe, uma amiga de um grupo de whatsapp que participo, recebeu de nós pequenos vídeos transmitindo palavras de carinho e força. As mesmas que diríamos se fossemos ao funeral.
E a família deste meu amigo, que mencionei no começo, criou o que se pode chamar de velório on line, uma solução muito interessante nesses tempos de contatos virtuais. Marcaram uma homenagem pelo aplicativo zoom e, depois de uma oração de abertura, cada participante, se desejasse, falava um pouco sobre sua relação com o homenageado. Foi lindo e emocionante. Acredito que ouvir cada amigo falar de seu ente que partiu fez, guardadas as devidas proporções, o papel do abraço de condolências e deu a família a pausa tão necessária para administrar esse momento doloroso.






